Apagaram o grafite dos Gêmeos
17 fevereiro, 2012 Categoria: Cultura & estrutura, Imagens marcantes Nenhum Comentário »
O fato é que com a grande aceitação da obra por parte da população, a Comissão de Proteção à Paisagem Urbana (CPPU) havia autorizado que a obra ficasse lá até que o processo de demolição do edifício chegasse ao fim.
Pois bem: o prédio será finalmente demolido e o grafite foi pro beleléu.
Tudo bem, tudo certo.
Mas, a pergunta que não quer calar é:
Por que diabos gastar litros de tinta pra apagar algo que será demolido?

O menino que saciou a sede de meio milhão de africanos
17 fevereiro, 2012 Categoria: Cultura & estrutura Nenhum Comentário »
Ainda pequeno, na escola com apenas seis anos, sua professora lhes falou sobre como viviam as crianças na África. Profundamente comovido ao saber que algumas até morrem de sede, que não há poços de onde tirar água, e pensar que a ele bastavam alguns passos para que a água saísse da torneira durante horas…
Ryan perguntou quanto custaria para levar água a eles. A professora pensou um pouco, e se lembrou de uma organização chamada WaterCan, dedicada ao tema, e lhe disse que um pequeno poço poderia custar cerca de 70 dólares.
Chegando em casa, foi direto a sua mãe Susan e lhe disse que necessitava de 70 dólares para comprar um poço para as crianças africanas. Sua mãe disse-lhe que ele deveria consegui-los e foi-lhe dando tarefas em casa com as quais Ryan ganhava alguns dólares por semana.
Finalmente reuniu os 70 dólares e pediu à sua mãe que o acompanhasse à sede da WaterCan para comprar seu poço para os meninos da África. Quando o atenderam, disseram-lhe que o custo real da perfuração de um poço era de 2.000 dólares.
Susan deixou claro que ela não poderia lhe dar 2.000 dólares por mais que limpasse cristais durante toda a vida, porém Ryan não desistiu.
Prometeu aquele homem que voltaria e o fez.
Contagiados por seu entusiasmo, todos puseram-se a trabalhar: seus irmãos, vizinhos e amigos. Entre todo o bairro conseguiram reunir 2.000 dólares trabalhando e fazendo mandados e Ryan voltou triunfante a WaterCan para pedir seu poço. Em janeiro de 1999 foi perfurado um poço em uma vila ao norte de Uganda. A partir daí começa a lenda. Ryan não parou de arrecadar fundos e de viajar por meio mundo buscando apoios. Quando o poço de Angola estava pronto, o colégio começou uma correspondência com as crianças do colégio que ficava ao lado do poço, na África.
Assim, Ryan conheceu Akana: um jovem que havia escapado das garras dos exércitos de meninos e que lutava para estudar a cada dia. Ryan sentiu-se cativado por seu novo amigo e pediu a seus pais para ir vê-lo.

Com um grande esforço econômico de sua parte, os pais pagaram sua viagem a Uganda e Ryan, em 2000, chegou ao povoado onde havia sido perfurado seu poço. Centenas de meninos dos arredores formavam um corredor e gritavam seu nome.
- Sabem meu nome? – Ryan perguntou a seu guia.
- Todo mundo que vive 100 quilômetros ao redor sabe…
Hoje em dia, Ryan – com 21 anos – tem sua própria fundação e conseguiu levar mais de 400 poços à África. Encarrega-se também de proporcionar educação e de ensinar aos nativos a cuidar dos poços e da água. Recolhe doações de todo o mundo e estuda para ser engenheiro hidráulico.
Ryan continua se empenhando em acabar com a sede na África.
Referências
1922 – A semana que não terminou
16 fevereiro, 2012 Categoria: Livros Nenhum Comentário »
Numa narrativa fluente, elegante e crítica, que mescla linguagem jornalística e relato histórico, o jornalista Marcos Augusto Gonçalves dá vida aos personagens e descreve as famosas jornadas que animaram o Teatro Municipal nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922, durante o festival que ficou conhecido como Semana de Arte Moderna.
Ao mesmo tempo em que reconstitui passo a passo o evento, o autor despe o episódio de mitos que o foram cercando ao longo do tempo: desde certas fantasias triunfalistas associadas a uma espécie de superioridade paulista na formação da cultura moderna brasileira, até as versões que, ao contrário, insistem em diminuir a importância histórica dos festivais encenados pelos rapazes modernistas e patrocinados pela elite econômica da emergente Pauliceia.
Nesse sentido, o livro incorpora críticas que têm sido feitas, desde a década de 1980, a algumas “verdades” consagradas pela historiografia e pelo senso comum. Como a ideia de que a arte e a literatura dos anos que antecederam a Semana seriam apenas acadêmicas ou passadistas, resumindo-se, quando muito, a manifestações de caráter pré-modernista.
O autor procura reavaliar a participação do Rio de Janeiro naqueles anos de formação da modernidade artística, e inscreve os jovens personagens de 1922 numa rede de relações pessoais ampla e complexa – na qual trafegam oligarcas, playboys, mecenas, mulheres fatais, imortais da Academia e poetas “passadistas”.
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Com base em ampla pesquisa, extensa bibliografia e entrevistas com especialistas, o livro – que também traz fotos e reproduções – é acessível ao leitor que se inicia no assunto, mas não deixará de despertar o interesse do meio acadêmico.
O título, como explica o autor, surgiu num chiste: “É uma paródia, uma espécie de blague quase oswaldiana a partir dos títulos de dois brilhantes best-sellers escritos pelos jornalistas Zuenir Ventura e Laurentino Gomes. Espero que me perdoem”.
Como criar um filho tirano
12 fevereiro, 2012 Categoria: Cultura & estrutura Nenhum Comentário »
2. Quando ele soltar palavrões, ria muito. Assim, pensará que ser mal-educado é gracioso.
3. Recolha sempre tudo que ele jogar ao chão, arrume o que deixar desarrumado. Ele aprenderá que não precisa ter responsabilidade.
4. Discuta sempre com o seu marido ou mulher na sua presença. Isso debilitará sua fé em autoridade.
5. Dê sempre todo o dinheiro que ele pedir, nunca lhe ensine a ganhar. Por que deveria sacrificar-se como você?
6. Satisfaça todos os seus desejos. Ele não deve jamais conhecer a frustração.
7. Diga hoje uma coisa sobre determinado assunto e amanhã outra. Assim, ele nunca terá segurança sobre o que deve fazer.
8. Apóie-o incondicionalmente contra todos. Afinal, todos parecem ser contra o seu pobre filho.
9. Se por falha sua algum pedido não for atendido e ele fizer um escândalo, peça-lhe desculpas e satisfaça-o imediatamente.
A vida como é. E aquele motorista distraido…
1 fevereiro, 2012 Categoria: Filosofia barata, Sétima arte Nenhum Comentário »
Se é por acaso ou pelo destino, não há nada que possamos fazer sobre isto.
Uma mulher em Paris está indo ao Shopping. Mas ela esquece seu casaco, e volta para pegá-lo. Quando ela está pegando o casaco, o telefone começa a tocar. Então ela para e fala por alguns minutos.
Enquanto a mulher está no telefone, Daisy está ensaiando para uma apresentação na Opera House de Paris. E enquanto ela está ensaiando, a mulher, que desligou o telefone agora, está saindo para pegar um taxi.
Agora, o motorista de taxi deixou um passageiro um pouco antes, e parou para tomar um café.
E enquanto isto, Daisy ensaiava.
E este motorista de taxi, que tinha deixado um passageiro antes e que parou para tomar um café, pegou a moça que ia para o Shopping e tinha perdido um taxi antes. O taxi parou para um homem atravessar a rua, que tinha perdido cinco minutos que normalmente não perdia porque esqueceu de ligar o alarme.
Enquanto aquele homem, atrasado para o trabalho, estava atravessando a rua, Daisy terminara seu ensaio e estava tomando banho.
E enquanto Daisy tomava banho, o taxi esperava em frente à boutique a mulher pegar um pacote que não estava pronto ainda, porque a garota que iria fazê-lo terminara com seu namorado na noite anterior e esquecera.
Quando o pacote ficou pronto, a mulher, que voltava de taxi, foi bloqueada por um caminhão de entregas. Enquanto esperava, Daisy estava se vestindo. O caminhão de entregas saiu, e o taxi pôde passar; enquanto Daisy, a última a se vestir, esperava uma de suas amigas que tinha arrebentado o cadarço.
Enquanto o taxi estava parado, aguardando o sinal abrir, Daisy e sua amiga saiam pela porta de trás do teatro.
E se alguma coisa tivesse acontecido diferente, se aquele cadarço não tivesse arrebentado, ou aquele caminhão de entregas saísse momentos antes ou aquele pacote estivesse pronto antes porque a garota não terminou com seu namorado, ou aquele homem ligou o alarme e levantou cinco minutos antes ou aquele motorista de taxi não parou para tomar café ou aquela mulher não esqueceria o casaco e pegaria o taxi anterior, Daisy e sua amiga teriam atravessado a rua e o taxi teria passado por elas.
Mas, a vida sendo como é, uma série de vidas interligadas e incidentes sem nenhum controle, aquele taxi não apareceria, e aquele motorista momentaneamente distraido…
- Daisy!
E o taxi atropelou Daisy.
(Trecho de “O Curioso Caso de Benjamin Button”)
