Com informações da revista “Época”

A pergunta é provocadora. De acordo com um artigo que será publicado neste mês no jornal britânico de psicologia “Intelligence”, a resposta é sim.

Foram comparados 137 países: em 60% deles, os crentes são os de QI menor. O autor do estudo, o psicólogo Richard Lynn, da Universidade do Ulster (Irlanda do Norte), diz estar absolutamente convencido da relação entre ateísmo e inteligência. Mas sua opinião está longe de ser consenso.

Há décadas, pesquisas buscam associar inteligência e baixa religiosidade. Aqui no blog já associei Judeus com a sabedoria oriental. O artigo de Richard Lynn é um mix dessas teorias, aliadas a outras, ainda mais polêmicas, que relacionam QI e raça.

Em alguns países, por exemplo, alguns dados não bateram. Veja:

  • Cuba e Vietnã têm muitos ateus (40% e 81%, respectivamente), mas QIs medianos. 
  • Já nos Estados Unidos, que tem média 98 de QI, 90% das pessoas dizem acreditar em Deus. 

Lynn diz que Cuba e Vietnã são exceções porque passaram pelo comunismo, quando houve forte propaganda anti-religiosa. Já nos EUA “há muitos imigrantes de países católicos, que mantêm os índices altos”.

Na verdade, trata-se de um dilema no estilo daquela antiga marca de biscoitos:

O sujeito é ateu porque é mais inteligente ou é mais inteligente porque é ateu?

A hipótese de Lynn é que, quanto mais inteligentes as pessoas, maior a facilidade de questionar dogmas religiosos. “Se a pessoa é mais educada, tem acesso a teorias alternativas de criação do mundo. Por isso, o QI alto leva à falta de religiosidade”, diz Richard Lynn.

Porém, ele mesmo admite que generalizações indevidas podem ser feitas a partir desses dados. “Há muito de cultural nesses testes. E isso se reflete no mau desempenho de tribos rurais. Há também a tão alardeada inteligência emocional e uma série de características sociais que geram vantagem nos tempos modernos”, afirma Lynn. Ou seja: para o próprio pesquisador, QI mede muito mais modernidade do que inteligência.

É justamente nesse ponto que o estudo é questionado por outros especialistas: o quociente de inteligência é uma medida relativa. Sim, com mais instrução, é provável que a pessoa tenha acesso a outras teorias sobre a origem das coisas, a outros livros que não os sagrados.

Mas daí dizer que teorias religiosas emburrecem é um passo muito grande. Além de preconceito.

E você, o que acha?


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Nenhum Comentário para “Os ateus são mais inteligentes?”

  1. Anônimo disse:

    Concordo com a pesquisa. Pessoas muito religiosas perdem horas rezando, auxiliando pastores, etc., ao invés de estudar. Quem estuda muito faz do estudo sua religião. Contudo, penso que muitas pessoas confundem não acreditar em igreja com não acreditar em religião.

    Eu, por exemplo, acredito que exista uma força maior, algo inexplicável até o momento (talvez eu esteja perto do espiritismo). Contudo, não acredito na Bíblia, nas igrejas e nas pessoas “santas”. Sou um “quase” ateu. Mas não me considero ateu.

  2. Ricardo Ramos disse:

    Com frequência, religiosidade se confundea com dogma relegioso. Ser religioso nada tem haver com teologia. A religiosidade está ancorada na relação pessoal e peculiar que cada pessoa (Eu) estabelece com a espiritualidade (eternidade).

    De fato, QIs menores tem dificuldade de discernir entre a consciência da sua existência cósmica e os dógmas seculares. O ateísmo é em sí a prova da existência de Deus, já que entroniza a dúvida da existência e da criação. Todavia, devemos respeitar a mente mediana, pois dependemos dela para a manutenção da estabilidade social.

    Cabe aos de maior QI indicar os caminhos racionais que nos façam progredir conciliando as necessidades materiais com a verdade da existência de Deus.

    Um gênio terreno e ateu concluiu que é impossível que por trás de tamanha criação não haja uma mente suprema! Eu complementaria: mente eterna e absonita!

  3. Inconsciente e-Coletivo » Arquivo » A Educação Judia e a Sabedoria Oriental disse:

    [...] brasileira está apenas na sala de aula é somente mais uma, entre tantas manifestações de ignorância de uma nação, cujo IDH está, não por acaso, em 65º lugar – abaixo de nações mais pobres do [...]

  4. Ricardo Ramos disse:

    É comum confundirmos teologia com religiosidade. Religiosidade requer uma relação intima e pessoal do eu consciente com a espiritualidade (eternidade). Tal relação espiritual é rara na sociedade de consumo conteporânea. Todavia, devemos respeitar as mentes teológicas e docmáticas medianas. A estabilidade social depende delas.

    É uma pena (It´s a pit!) que as mentes geniais (leadership) conteporâneas se dediquem muito mais a autogratificação (satisfação dos próprios desejos) do que a edificação de uma civilização progressiva, aperfeiçoada e racional.

  5. Augusto Poliquezi disse:

    Desde muito tempo eu imaginava isso também! Por tratar-se de algo extremamente abstrato e muito dificil de sintetizar, ocorre que o ser humano pode acreditar em alguma religião e fundamentar sua vida e principios sob tais dogmas, ou abrir sua cabeça a outras opniões e descobrir que são infinitas as formas de busca por conforto espiritual!

    Tomo como experiência meu proprio caso, parce que estudei catequese e crisma na igreja catolica, depois fiz um ano de curso de testemunho de Jeova! Tenho diversos amigos que são Evangélicos e troco opniões com eles também, além de ter lido um livro sobre o Budismo na India!

    Toda essa mistura de conceitos meu fez para e me perguntar: Se Deus é unico, porque cada um tenta entender sua atuação sob inumeros pontos de vista??? Voilà, c’est ça!! Obrigado!

  6. Anselmo Machado disse:

    Investi décadas de minha vida em uma pesquisa sobre a historicidade de Jesus e descobri que Religião e Política são imãs siamesas. Tanto o Deus único (o Deus Pai) foi criado por um Faraó, Akhenaton, por motivos políticos, quanto os mitos sobre Jesus (o Deus Filho) foram engendrados a mando de Constantino I para unificar a crença (e o povo) de um império em franco declínio, ou seja, por motivos políticos também.

    Agora, vá explicar isso a um Evangélico, por exemplo, é impossível. Concordo com a pesquisa.

  7. O Calvário dos Ateus disse:

    [...] e gays assassinados. A verdade é que a minoria que mais sofre preconceito no mundo é a dos ateus. É claro que será muito fácil para os politicamente corretos de plantão me acusar de fascista e [...]

  8. Teresa Santos disse:

    Se ele são mais inteligentes? Prá mim inteligente é aquele que tem Jesus no coração, lê a Bíblia, não rouba, não se droga, não fica no barzinho da esquina procurando briga, não dá calote, não fica fofocando por aí e é amigo de todo mundo.
    Não adianta falar dos evangélicos e dos católicos porque eles são inteligentíssimos sim! Deus vos abençôe!

  9. Eduardo Tetera disse:

    Amém, Teresa.

    Mas, quem não é ateu e nem é cristão, tem o direito de ser inteligente?

  10. Fabricio disse:

    Posso explicar usando um silogismo
    Toda regra tem exceção.
    Isto é uma regra.
    Logo, deveria ter exceção.
    Conclusão: nem toda regra tem exceção.
    fabricio1983@ig.com.br

  11. Eduardo Tetera disse:

    Ou não.

  12. José disse:

    Concordo com a maioria dos comentários, estatísticamente, os não religiosos tendem a ser mais inteligentes que os religiosos, mas isso (provavelmente) tem mais relação com o desenvolvimento pessoal dos religiosos/não religiosos.
    Os não religiosos são avessos a aceitar verdades reveladas e são, em média, mais meritocráticos.
    Aos religiosos que fazem comentários vazios/preconceituosos: estudem estatística, especialmente os conceitos de média, moda, distribuição, grau de significância, grau de liberdade e desvio padrão.
    No mais, Atenas os ilumine, ela olha por todos.

  13. Eduardo Tetera disse:

    Sapientíssimas palavras, José.

    Me recordo de outro artigo que publiquei aqui no Inconsciente, intitulado “Filosofia pra boi dormir“.

    Recomendo a leitura. No texto eu conto (de forma sarcástica) o resumo do que foi que fez Sócrates e como o mataram por sua ousadia.

    Descartes concluiu que só existiam 2 coisas : o Espírito e a extensão, e garantiu que nada os unia. Então como o Espírito poderia conhecer a extensão? Foi necessário pedir ajuda a Deus.

    Depois veio Kant. Esse jurou, ajoelhado no milho, que a inteligência e a moral estavam completamente separadas.

    Conclusão? Leia o artigo e veja no que deu.

    » Filosofia pra boi dormir

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