Armadilhas da língua portuguesa – Tautologia
23 janeiro, 2008 Categoria: Cultura & estrutura Nenhum Comentário »
Por exemplo, você sabe o que é tautologia?
Digo já: É o termo usado para um dos vícios de linguagem (pleonasmo). Consiste na repetição de uma idéia, de maneira viciada, com palavras diferentes, mas com o mesmo sentido. O exemplo clássico é o famoso “subir para cima” ou o “descer para baixo”.
Mas há outros, como você pode ver na lista a seguir:
| - elo de ligação- acabamento final
- certeza absoluta - quantia exata - nos dias 8, 9 e 10, inclusive - juntamente com - expressamente proibido - em duas metades iguais - sintomas indicativos - há anos atrás - vereador da cidade - outra alternativa - abertura inaugural - continua a permanecer - a última versão definitiva - possivelmente poderá ocorrer - comparecer em pessoa - gritar bem alto - propriedade característica |
- demasiadamente excessivo- a seu critério pessoal
- exceder em muito- detalhes minuciosos - a razão é porque - anexo junto à carta - de sua livre escolha - superávit positivo - todos foram unânimes - conviver junto - fato real - encarar de frente - multidão de pessoas - amanhecer o dia - criação nova - retornar de novo - empréstimo temporário - surpresa inesperada - escolha opcional - planejar antecipadamente |
Note que todas essas repetições são dispensáveis.
Por exemplo, “surpresa inesperada”. Existe alguma surpresa esperada? É óbvio que não. Devemos evitar o uso das repetições desnecessárias. Fique atento às expressões que utiliza no seu dia-a-dia.
Verifique se não está você também caindo nesta armadilha.
Abaixo-assinado contra a Oi / Velox na Bahia
19 janeiro, 2008 Categoria: Tolerância zero Nenhum Comentário »

A Oi (antiga Telemar) tem deixado o internauta baiano a ver navios. Com conexão lenta e preços absurdos, o Velox, serviço de acesso à internet oferecido pela empresa, representa desonestidade. Os usuários da Bahia são obrigados a pagar 500% a mais por velocidades mais baixas do que as oferecidas em outros estados.
No Rio de Janeiro e em Belo Horizonte, os internautas pagam R$ 39,90 por 2 Mb de velocidade, enquanto os baianos precisam desembolsar R$ 159,00 por apenas 1 Mb.
Na Bahia, assim como em todos os Estados do Norte-Nordeste do país, são disponibilizados apenas as velocidades mais baixas, de 300 Kb, 600 Kb e 1 Mb. No Sudeste, a coisa é outra, e bem rápida. A empresa oferece 1, 2, 4 e 8 Mb por preços muito menores do que os praticados no estado nordestino.
Tudo sem justificativa, pois a Telemar/Oi utiliza a mesma estrutura física para transmitir tanto dados de internet quanto de telefonia, o que garante despesas operacionais iguais.
Mas quando cobra do consumidor, ela explora. Enquanto os preços do serviço telefônico são quase idênticos em todo país, os do velox são diferenciados.
O deputado Álvaro Gomes (PCdoB) lançou uma campanha contra os preços abusivos do Velox, através de projeto de lei e ação judicial, e conta com a sua adesão.
Se você também acha abusivas as cobranças da Oi na Bahia, participe do abaixo-assinado. Visite o site do deputado para assinar:
http://www.portaldoalvaro.com/abaixoassinado/home.aspx
Como ganhar dinheiro com uma ONG
15 janeiro, 2008 Categoria: Política é o fim 11 Comentários »
Olha, eu não sei como montar uma ONG e também não tenho nem puta idéia de como se faz aquilo dar dinheiro.
Aliás, na verdade,nem mesmo eu sei qual o real objetivo de se montar uma ONG. Ese eu quiser apoiar uma Organização dessas, por onde começo? Indagando sobre os objetivos e rendimentos, ou pedindo minhas vantagens?
Não entendo mesmo. Mas o fio da meada deve ser mesmo lá pras bandas do Planalto Central, afinal
O Brasil é o único país do mundo onde as Organizações Não Governamentais são sustentados pelo governo…
E não tente entender.
Lula, Chávez e Morales – Uma imagem que fala por si…
14 janeiro, 2008 Categoria: Conversa fiada Nenhum Comentário »

Pois é, Lula.
Agora tem que rezar…
A arte de falar sozinho
13 janeiro, 2008 Categoria: Filosofia barata Nenhum Comentário »
Rubem Braga, em alguma crônica, escreveu que Paris era indiscutivelmente uma boa cidade para se falar sozinho na rua, mesmo em português.
Toda rua é palco para monólogos com ou sem audiência atenta.
Sempre houve pessoas falando sozinhas na rua, gesticulando, olhando o infinito. Nem sempre é loucura. Ou nunca é loucura.
Ou então somos todos loucos, porque todos falam sozinhos. Pensar é falar consigo mesmo. Dialogar com outras vozes habitantes em nós. Somos legião. Moram em nós outras vozes, com as quais concordamos ou discordamos o tempo todo.
Aliás, há pessoas que, até quando falam com alguém, sozinhas estão falando, porque não estão realmente falando com o outro. Estão apenas falando. Falando consigo mesmas. Não querem ser compreendidas ou rejeitadas. Querem falar porque precisam falar. O outro poderia ser uma parede. Poderia ser um espelho. Há pessoas que conversam com objetos, outra forma de falar sozinhas. Há pessoas que dirigem palavras ao computador. Xingam o computador. Pedem que ele não trave. Pedem que ele colabore.
Rezar é falar sozinho? Sonhar é falar sozinho? Cantarolar uma música é falar sozinho? Falar sozinho é conversar com o diabo?

Também falam sozinhos aqueles que escrevem. O leitor não está ali. Falamos sozinhos, ou com as palavras conversamos. E o leitor, depois, ao ler o texto, também está falando sozinho. O autor não está ali, apenas a sua sombra, o eco, a imagem, a lembrança, a palavra. José Angelo Gaiarsa, no livro As vozes da consciência, de 1991, afirmava algo insólito: “a finalidade última do homem é falar sozinho”. Uma frase talvez ridícula, pensava o próprio autor. Mas essa frase algo me diz. Converso sozinho com a minha consciência, e a minha consciência conta-me coisas.
Falar sozinho não é egoísmo, não é idiossincrasia, não é problema. É solução. É saudável introspecção. Falando de mim para mim, eu saio de fora para dentro. Saio da dispersão, entro em contato com esse estranho eu que eu sou.
O poeta português José Gomes Ferreira disse tudo: “Que o primeiro poeta que nunca falou sozinho pelas ruas se levante e me atire a primeira estrela!”.
Em texto de Gabriel Perissé | via Fabio Rocha
