A esquerda burra alimenta as misérias ou "Porque não tenho escrito muita coisa útil"
16 novembro, 2007 Categoria: Conversa fiada Nenhum Comentário »
Como se percebe facilmente, a tal verve da escrita não tem fervido muito aqui no blog. (Nem os trocadilhos, como se nota…)
E pensar que, num país como o Brasil, não é tão difícil arranjar conteúdo para escrever. Sobretudo numa atmosfera de imprensa que sugere sempre os mesmos caminhos de audiência: reclamar, apontar falhas, veicular tragédias e misérias mil e blah blah blah. O problema é que o burburinho político e cultural dá muito assunto e pouca profundidade; se a gente bobear fica só falando do Lula, do Chávez, do Renan Calheiros e a vida vai passando. É justamente isso que eles querem: que a gente ache que tudo se resume à política.
Há muita coisa boa pra se destacar na vida e no mundo, minha gente. Além do quê, a esquerda no Brasil já não é.
Aliás, por que a pseudo-esquerda (ou os sinistros) é sempre de esquerda? Não importa quem esteja no poder, eles são de esquerda. O mote é ser a favor do contra. O Zé Dirceu e o Serra foram batalhadores da ex-UNE, e dos bons. São de esquerda? E o Genoíno? Guerrilheiro, guerrilheiro! Salve o Araguaia, companheiros! E o que dizer do ex-operário barbudo que reivindicava greve até por falta de copo nos bebedouros?
(Tá vendo, olha aí. Já deu dois parágrafos de política…)
Uma das maiores falácias da esquerda brasileira é insistir na tal da distribuição de renda. Já tentei, em vão, discutir esse assunto em fóruns com membros da dita facção, que hoje deve abarcar algo como 99% da população economicamente ativa por estas paragens. Foi num papo desses agora há pouco que argumentava por exemplo (baseado em leituras e re-leituras, claro. Não há cientista político entre os Jungianos e a memória do blogueiro aqui não é fotográfica) que no século XIX a quase totalidade dos adolescentes trabalhava em fábricas; hoje nove entre 10 vão à escola. No início do século seguinte o americano médio precisava trabalhar duas horas para ganhar o preço de uma galinha; hoje, 20 minutos. E assim vai.
Com dados como estes, que evidenciam ganhos concretos de qualidade de vida para todos ao mesmo tempo em que se diz ter aumentado a concentração de renda, fica clara como nunca a intenção de complicar o debate público por parte de certos intelectuais. Sejamos claros, ora pois. Se acreditarmos nessa mentira, estaremos matando a galinha dos ovos de ouro.
Agora, uma pausa para a Voz do Brasil.
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17 novembro, 2007 - 15:50
Gostei muito de seu texto.É lúcido e vc o apresentou de maneira clara. Bom de se ler.
17 novembro, 2007 - 17:45
Um belo texto, e eu assino em baixo da conclusão,o que importa é o que somos sempre, li algumas de suas coisas e gostei muito, tens muita inspiração. bjos e uma ótima semana p/ vc…crys
20 novembro, 2007 - 9:59
Muito válida essa sua abordagem que fez sobre a política, de como somos manipulados por ela, e nos faz refletir para acordar e sermos conscientes de nossos atos, pois se os governantes que temos no poder são péssimos, o que somos então? já que os colocamos lá. Beijos, gostei muito de seus textos os lerei sempre.
20 novembro, 2007 - 10:20
A analogia no final do texto foi insuperável!! è o que pagamos pela coisificação das coisas coisadas!!
21 novembro, 2007 - 9:24
E pensar que nós mesmo é que alimentamos essa gang.
24 novembro, 2007 - 8:37
Em Brasília, 19:00hs.
30 novembro, 2007 - 20:22
Sei lá, acho a esquerda brasileira tão diferente da esquerda na Europa. Sei lá, me parece mais centrista que esquerda “de verdade”.
Acho que ando com saudades daquelas discussões reacionárias, da esquerda, sei lá…
Beijo e fim de semana!
7 dezembro, 2007 - 17:50
Quando li sobre “esquerda burra”, pensei que fosse ver o vídeo da M+R+A do Hugo Chávez. Olha lá se o gajo não é meio atolado…
Beijinhos e bom fim de semana
7 dezembro, 2007 - 17:52
Sou eu a anônima “saudosista”, que interessante. Como sou distraída, caramba!
Hoje estou bem mais inspirada.
Bjs