O pai da administração moderna, Peter Drucker, insistia numa concepção de que o grande segredo para o sucesso empresarial está em saber fazer as perguntas certas.

Qualquer pessoa com inteligência mediana e com alguma disciplina metodológica consegue procurar respostas, porém, nada resolvem boas respostas para perguntas erradas ou pouco significantes.

Isto indica que perguntas intrigantes não são apenas coisa de “chato”, como afirmam alguns.

Perguntas têm o poder de abrir feridas, por vezes ocultas. Sobretudo quando a arena dos gladiadores é um terreno frágil como o da Educação.

Posto isso, a pergunta é:

Prova para quê?

Junte-se a diferença que há entre ensino e aprendizagem.
Vivemos num mundo que exige certificações, poucas efetivamente necessárias. Para o sujeito ser advogado, médico, administrador, contador, psicólogo, etc., precisa de alguém para “certificar” que o cidadão aprendeu o suficiente. O que normalmente questiono é ser o professor juiz do seu próprio trabalho.

Do ponto de vista do indivíduo certamente bastaria saber (“Know how”, manja?) ou seja, a própria aprendizagem. Já do ponto de vista social, precisa haver um “selo de qualidade” para tornar válido tal conhecimento (e as certificações certamente estão muito falhas). Isso tudo acaba levando às dificuldades de mudança, que não são apenas de ordem pessoal. Há toda uma conjuntura que conspira.

Nesse ponto é que recomendo a leitura de “Sozinhos na Escola” de José Pacheco, o idealizador da Escola da Ponte.

Mas de nada adianta tentar esmurrar ponta de faca.
Há um escrito da Bíblia que ajuda bem a entender este nosso momento histórico da Educação no Brasil. É o momento em que o povo judeu, depois de atravessar o deserto sob a liderança de Moisés chega à fronteira da Terra Prometida. Dali Moisés manda 12 indivíduos na frente pra dar uma espiada na terra e depois prestar relatório. Os sujeitos voltam e 10 deles dão um relatório aterrorizante: os habitantes da terra eram uns caras gigantescos, super bem nutridos, treinados para lutar e as cidades tinham muros enormes!

- Moisés, sem chance; nao vai dar, não…

Dois dos doze, porém, confirmam tudo o que os outros haviam dito, mas acrescentam:

-Olha, Moisés, a gente chegou até aqui escapando da mais feroz ditadura dessa era: os egípcios; até o mar se abriu na frente da gente e depois se fechou em cima deles: o sujeito lá de cima tá com a gente! Vamos nessa!

Moisés e o restante do povo preferiram acreditar nos 10 primeiros. Ao invés de entrarem na terra prometida e avançarem para o seu futuro, deram pra trás e foram viver a vida que estavam já acostumados a viver, no deserto. Só 40 anos depois, quando toda uma geração de gente medrosa e incrédula morreu é que os judeus finalmente entraram na terra prometida.

Parece que temos um número muito reduzido de pessoas que estão acreditando no futuro da educação no Brasil, que pensam em fazer coisas diferentes do que tem sido o nosso deserto educacional até aqui. Talvez não seja mesmo possível convencer a maioria que não crê no futuro e vai rumo ao tal apagão no Ensino Médio. Penso que vão continuar no deserto, que é onde se sentem melhor, onde se acostumaram a viver.
Sabe aquela estória do medo vencendo a esperança? Acho que é a cara dessa gente instrutora que aí está.

Mas há uma minoria que acredita e busca algo diferente do estabelecido. Aos poucos uma pequenina revolução silenciosa, quase imperceptível, vai sendo posta em andamento aqui e ali. Existem hoje pouco mais de uma centena de alunos brasileiros estudando com professores da Escola da Ponte. Uma centena é quase nada. Mas no meio destes 100 há gente de todo tipo de formação, desde diretores de escola até uma secretária de educação de um pequeno municipio catarinense.

Enfim, há gente espalhada por aí pelo Brasil querendo fazer diferente; querendo fazer diferença.

Não esmurre a ponta da faca. Além de inútil, pode ser doloroso.


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Nenhum Comentário para “Apagão na Educação do Brasil”

  1. Prof Maurício Apolinário disse:

    Eduardo,
    Gostei de seu texto e da comparação com a entrada na terra de Canaã. Estou na minoria que luta e busca propostas. Por isso publiquei este ano o livro “A arte da guerra para professores”. Estou na “minoria que acredita e busca algo diferente do estabelecido”.

  2. Mara Pupin disse:

    Um grito de alerta seu texto!

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