Grampos
3 dezembro, 2006 Categoria: Conversa fiada Nenhum Comentário »
— Rosalva?
— Eu…Neidinha?
— Dá pra falar?
—Tô sozinha, as crianças sairam, o patrão chega daqui a pouco…O que foi?
— Tem 10 pra emprestar, a patroa não pagou… nem pra passagem eu tenho.
— Filha da puta…
— Pois é, falou que tava com problema..
— Mas ela não trocou de carro?
— Leasing, tá enrolada…
— Você acreditou?
— Você sabe que emprego tá difícil, viu a fila na televisão?
— Cascata, Neidinha… é pressão para aguentarmos caladas esse tipo de coisa…
— Sei não…
— Duvido se tem alguém naquela fila que sabe cozinhar como nós.
— Mesmo assim…Você tem ou não 10?
— Ela não é metida em política…?
— …mas fica reclamando que os tempos mudaram e que ela por um tempo tem que viver só do salário…
— Sei…
— Acabou essa história de comissão pra lá e pra cá… sei lá…
— E o macho dela? Não trabalha na Receita?
— Não, agora é outro. Um cara da Procuradoria…
— Lembrei… era assessor do ministro. Vivia em Brasilia.
— Esse também dançou. Teve que ficar sumido por uns tempos… me empresta 10… passo aí no final do dia.
— Espera, então é por isso que ela tá dura… tá sem macho…
— Pega leve, Rosalva….gosto dela.
— Só porque herda roupa usada em festa no palácio, em posse de presidente?
— Não é bem assim, Rosalva…
— É sim, ela te enche de mimo e não paga direito o seu salário…Cadê aquele namorado juiz?
—Nunca mais apareceu… escuta, me empresta 10…
— Claro….
— Ela disse que a coisa é recente… que nem no telefone ela pode mais falar…..
— Vou desligar…O doutor chegou, Neidinha, me encontra que te dou os 10…
— Esqueci de perguntar… rolou alguma coisa com ele ontem?
— Depois te conto. O homem é uma bomba atômica. Tchau!
— Tchau!
Mude. Salte profundo. Só o que está morto não muda!
1 dezembro, 2006 Categoria: Conversa fiada Nenhum Comentário »

