Veja como é simples a filosofia moderna
23 novembro, 2006 Categoria: Conversa fiada Nenhum Comentário »
Sessão blá blá blá
Ao roubar o fogo de Zeus, Prometeu permitiu que o intelecto (simbolizado pelo fogo) fugisse do controle do Espírito (simbolizado por Zeus). O episódio representa a revolta do intelecto contra o Espírito que vem comprovar que inteligência humana só serve ao Bem quando se deixa guiar pelo Divino e toda tentativa de escapar dessa lei trará sempre conseqüências nefastas ao próprio homem. A perversidade iniciada por Prometeu é complementada por seu irmão Epimeteu, cuja característica é agir antes de pensar, ou seja, nele já há uma total inconsciência da presença divina, pois a Theoria é Deus e a práxis é o homem. A práxis sem referência à Theoria perde toda a realidade, transformando-se num absurdo total.
Descartes foi o Prometeu do mundo moderno. Virando as costas para o Espírito, criou uma filosofia fundamentada num Eu artificial, abstrato e, portanto, inexistente referindo-se a Deus apenas para salvar as contradições de suas idéias. Usou a mesma tática de Prometeu que, desejando fugir ao controle do Espírito mas reconhecendo que o próprio intelecto é uma dádiva sua, tentou furtá-lo de Zeus, já seria a única maneira de dar continuidade ao seu projeto. Epimeteu já não reconhece sequer a existência de Deus. É a própria animalidade.
O mundo moderno teve vários Epimeteus, mas o que exerceu maior influência e se tornou mais conhecido foi Karl Marx. Assim como o irmão de Prometeu, ele nunca considerou a existência do Espírito. Ao contrário, parte de sua teoria já se inicia tentando justificar as razões pelas quais alguns homens acreditam em Deus. Além disso ele mesmo afirmou que o objetivo da nova filosofia deveria ser o de parar de pensar o mundo e tratar apenas de transformá-lo, exatamente como fazia Epimeteu, agindo antes de pensar.
O capitalismo é filho de Prometeu. O comunismo de Epimeteu. Talvez a única forma de melhorar o mundo seja devolver o intelecto ao Espírito. Ao desfazer o projeto de Prometeu, estaríamos desfazendo também o de Epimeteu [que é apenas um complemento do irmão] assim como o comunismo é um complemento do liberalismo ateu. Atualmente o que está acontecendo é o oposto, ou seja, capitalismo e comunismo se complementam perfeitamente [um servindo-se do outro] na sua revolta contra o Espírito. A única resistência a esta comunhão anti-espiritual em todo o mundo é um pequeno grupo de conservadores americanos, que às vezes erram tentando roubar o fogo de Prometeu, em vez de tentar convencê-lo a devolver o que não é dele.
Ou não.
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24 novembro, 2006 - 1:51
ótima a sua aula de filosofia e religião comparadas
24 novembro, 2006 - 16:16
Ei Edu, e pensar que a gente ligava o rádio e era blá blá blá né…
beijão
24 novembro, 2006 - 21:46
Ou não
25 novembro, 2006 - 13:03
Eduardo , gostei muito do texto , é incrivel o que vc disse sobre o espirito , tenho plena convicção que é exatamente o
25 novembro, 2006 - 13:05
Eduardo , gostei muito do texto , é incrivel o que vc disse sobre o espirito , tenho plena convicção que é exatamente o
que falta para um mundo mais consciente .
25 novembro, 2006 - 15:52
Olá Eduardo. Temos que fazer um equilíbrio entre espírito e intelecto para viver melhor. Muito boa sua crônica. Escreves com propriedade, sabedoria, conhecimento, inteligência. Abraços e sucessos. Bom fim de semana.
2 dezembro, 2006 - 8:44
O âmago da doutrina de Marx não é meramente parar de pensar o mundo, como se pregasse o esquecimento da origem, era acossar na teoria e içar na prática. Pelo amor de Deus, que disparate rematado, inversão manifesta do interpretar da cronologia científica, bem como um absurdo escandaloso!
Se invocarmos Kelsen veremos que a moral é relativa, ou seja, meu bom homem, na época Marx contemplando seu momento histórico percebeu que uma teoria, qual seja, a hegeliana não bastava para transformar, em seguida construiu seu inigualável pensamento. Portanto é sabido que não basta navegar no terreno teorético, temos que arar o solo material, além do que, trazer acriticamente uma teoria do século XIX até os dias de hoje torna-se um carunchoso pensar.
Quanta desfaçatez!