Um manifesto a favor da vírgula
28 novembro, 2006 Categoria: Conversa fiada Nenhum Comentário »
Nem quero saber se ela tem que ficar num lugar ou noutro, quero em todos os lugares!
Vírgula pra mim está ligada ao pulmão, ao coração, coisa das entranhas e mando bala na vírgula.
Já escreveram ‘O Velho e o Mar’, então vou escrever, ‘O Velho e a Vírgula’.
Ah, como ela, o ponto também me fascina. Ponto e pronto. Ponto, ponto! Fica ótimo; parece com aquelas pessoas de decisão: -tá dito e tá dito e pronto, ponto. Gostei daquilo: Eu, a Vírgula e o Ponto… Porra, também já vou viajando com esse negócio de triângulo… E também, não adianta dizer que é pra encher o texto, mas é que a erudição do Aurélio a todo tempo incomoda, não é? Já imaginou como ia publicar esse negócio de “uma misciva” bem redigida? Ou, em tempos de CPMI “uma epístola a vossa senhoria”? Não ia dar certo mesmo. E dos Buarque de Holanda, o Chico e o Sérgio descem mais suaves. E ponto.
Cá como lá, amor ou rima com calor, ardor, furor ou com dor e quando tem essa rima, vem o provedor e joga a conexão pro espaço, é quando vou ao congelador e busco aquela gelada e relaxo, olhando o editor de textos (ferramenta cruel…) Aí você me diz que texto ruim é texto ruim, não adianta enfeitar. Tá certo, mas pensando bem você até que tem razão: aquela mulher feia, num batom vermelhão, um lápis no olho, e aquela calça “Deus é justo mas a tua calça …”; concordo que ela continue feia, mas fica melhorzinha pra olhar mesmo.
No mais, esse negócio de ser dono da palavra, autor do texto, é um saco, sim. Aos donos cabem alguns lucros, mas também, cabem os ônus todos, pagar imposto da palavra, luz da palavra, água da palavra… Como você disse aquela vez; melhor é ser favelado da palavra, entro, tomo conta, tomo posse, me apodero e fim. E ponto. Faço um escarcéu, misturo, troco de lugar, inverto o sentido, ponho vírgula e tome ponto; no final, já pari um texto enviesado.
Mas palavra é realmente igual a carro: está pra me servir e não o contrário. E, às vezes, até consigo algumas subvenções. Pois é, o mundo não é nada justo, nada justo, mas aquela calça… Concordo que há toda a responsabilidade em passar os acertos, em usar tudo de forma correta, a preocupação com a gramática, a fonética, os acentos e todas essas coisas que aprendemos (Deus sabe há quanto tempo) mas se meu texto incomodar sugiro aos mais desavisados que corram a outro sítio. E por favor, não deixe jamais de publicar os teus escritos, porque tuas palavras de mulher sagaz (e às vezes bem mordaz) me ajudam a focar o que o mundo feminino sente e como ele age em relação aos outros seres humanos menos dotados (homens em sua maioria…). Combinado? E o texto, é de quem? O resto é o resto. E pronto. E ponto final.
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29 novembro, 2006 - 7:21
Acho q vc lê pensamentos…palavras…eu as amo e odeio…vou tentar ser a dona de minhas palavras…rs
Mas, com as palavras dos outros…ai, ai, ai…o q eu faço? Bjos.
Ps1: Meus problemas atuais são com palavras faladas…rs
Ps2: Gosto do ponto…nem tanto das vírgulas.
29 novembro, 2006 - 7:44
Talvez eu leia mesmo. Mas, dessa vez, sem negritos… rs
29 novembro, 2006 - 8:52
Isso é você mesmo. Sem a menor sombra de dúvidas. Remember Musik!
29 novembro, 2006 - 9:53
Eu me lembro… Ôh, se lembro…
‘Alles ist Musik und music is me’
Abençoai nossos desertos, Saara Saara, nós temos fome!
29 novembro, 2006 - 17:45
O problema não está nas palavras. Está justamente nas vírgulas e no ponto daí essa minha mania de escrever frases enormes sem usar acentuação alguma porque simplesmente não quero me calar. Sagaz, mordaz e com uma parca capacidade de interpretar suas entrelinhas. Mas vale tudo antes do ponto final. Esse sim eu abomino… Sou mais fã das reticências. É… definitivamente você me inspira a escrever. E mulher bonita usa saia justíssima (dando a maior pinta)
30 novembro, 2006 - 9:54
E ponto final.