Meme – três autores que desisti de ler
25 novembro, 2006 Categoria: Conversa fiada Nenhum Comentário »
Essa corrente blogueira com conteúdo [não necessariamente] tem gerado alguns textos e opiniões interessantes como a Semiótica do Edd ou o Inactivism do Cleber.
A idéia é escrever sobre três autores que desisti de ler.
Cuidado: devo advertir que meus motivos podem ser um tanto obscuros.
A chamada “primeira dama do romance”, Danielle Steel, me deixou o que eu posso chamar de gosto amargo da decepção. Eu que já havia lido a bela obra de Agatha Christie e ainda me incomodava com os lugares comuns, situações coincidentes e até já havia percebido certas predileções da inglesa com determinados números, acabei encontrando na yankee Danielle tudo aquilo maximizado. Frustrante.
Paulo Coelho - O mago é muito lido mundo afora. Os russos ficam tontos quando lêem o Paulo Coelho [será a vodka? Será que bebem pra esquecer do que leram?] O supra-sumo fazia muito sucesso também, nos anos da Sociedade Alternativa. Se Nelson Rodrigues dizia que toda unanimidade é burra, eu acrescento que pelo menos deve-se desconfiar. Desconfie, meu caro, Raulzito já se foi e o mago já não é.
O terceiro dos meus recém-preteridos é o norueguês Jostein Gaarder, autor de romances, contos e histórias infantis além de filosofar como poucos. Antes de escrever ‘O Mundo de Sofia’ [1991] ele já havia lançado três livros; além de ‘O Dia do Curinga’ você conhece algum outro? Pois é. Após esse sucesso estrondoso saíram já outras sete produções. Qual você leu? Então. De autor bissexto já estou cheio.
Autor bissexto bom mesmo foi Augusto dos Anjos. Apenas um livro, reunindo escritos publicados em jornal, que jamais serão esquecidos.
Veja como é simples a filosofia moderna
23 novembro, 2006 Categoria: Conversa fiada Nenhum Comentário »
Sessão blá blá blá
Ao roubar o fogo de Zeus, Prometeu permitiu que o intelecto (simbolizado pelo fogo) fugisse do controle do Espírito (simbolizado por Zeus). O episódio representa a revolta do intelecto contra o Espírito que vem comprovar que inteligência humana só serve ao Bem quando se deixa guiar pelo Divino e toda tentativa de escapar dessa lei trará sempre conseqüências nefastas ao próprio homem. A perversidade iniciada por Prometeu é complementada por seu irmão Epimeteu, cuja característica é agir antes de pensar, ou seja, nele já há uma total inconsciência da presença divina, pois a Theoria é Deus e a práxis é o homem. A práxis sem referência à Theoria perde toda a realidade, transformando-se num absurdo total.
Descartes foi o Prometeu do mundo moderno. Virando as costas para o Espírito, criou uma filosofia fundamentada num Eu artificial, abstrato e, portanto, inexistente referindo-se a Deus apenas para salvar as contradições de suas idéias. Usou a mesma tática de Prometeu que, desejando fugir ao controle do Espírito mas reconhecendo que o próprio intelecto é uma dádiva sua, tentou furtá-lo de Zeus, já seria a única maneira de dar continuidade ao seu projeto. Epimeteu já não reconhece sequer a existência de Deus. É a própria animalidade.
O mundo moderno teve vários Epimeteus, mas o que exerceu maior influência e se tornou mais conhecido foi Karl Marx. Assim como o irmão de Prometeu, ele nunca considerou a existência do Espírito. Ao contrário, parte de sua teoria já se inicia tentando justificar as razões pelas quais alguns homens acreditam em Deus. Além disso ele mesmo afirmou que o objetivo da nova filosofia deveria ser o de parar de pensar o mundo e tratar apenas de transformá-lo, exatamente como fazia Epimeteu, agindo antes de pensar.
O capitalismo é filho de Prometeu. O comunismo de Epimeteu. Talvez a única forma de melhorar o mundo seja devolver o intelecto ao Espírito. Ao desfazer o projeto de Prometeu, estaríamos desfazendo também o de Epimeteu [que é apenas um complemento do irmão] assim como o comunismo é um complemento do liberalismo ateu. Atualmente o que está acontecendo é o oposto, ou seja, capitalismo e comunismo se complementam perfeitamente [um servindo-se do outro] na sua revolta contra o Espírito. A única resistência a esta comunhão anti-espiritual em todo o mundo é um pequeno grupo de conservadores americanos, que às vezes erram tentando roubar o fogo de Prometeu, em vez de tentar convencê-lo a devolver o que não é dele.
Ou não.
Leia também
Como vender café usando uma bela mulher
22 novembro, 2006 Categoria: Conversa fiada Nenhum Comentário »
Mostra uma mulher piloto em momento de relaxamento, com uma xícara de expresso na mão, a jaqueta entreaberta revelando o sutian.
A ERK, que cuida da ética na propaganda sueca, criticou a peça por usar a mulher com o objetivo de atrair atenção, sem conexão com o produto anunciado.
Veja o cartaz do anúncio:

Está muito certo. Mas, vai um cafezinho?
O que você acha do Paul Auster?
21 novembro, 2006 Categoria: Cultura & estrutura Nenhum Comentário »
Meu amigo Jorge me pergunta: o que você acha do Paul Auster? Não era uma mera pergunta de bate-papo; ele tem, na verdade, certas restrições ao escritor nova-iorquino e sempre exorcisa qualquer um que tenha proximidade com a literatura francesa, além de considerar o Auster paparicado demais. Percebo uma pontinha de inveja, talvez, não sei se do escritor ou dos franceses.
Mas, talvez Auster seja isso mesmo – o que afirmo é que poucos abrem as portas da literatura aos leigos como Auster.
Durante alguns tempos me deliciei com as páginas de “Leviatã”, “Mr. Vertigo”, “O Inventor da Solidão”, “A Trilogia de Nova York” e “A Música do Acaso”. Um dos filmes que mais gosto é “Smoke”, um filme natalino com roteiro de Auster – especialmente porque havia uma canção de Tom Waits no final. Depois de passar algum tempo sumido dos romances escreveu uma pequena novela, “Timbuktu” [não foi muito feliz] após o quê voltou à tona com “O Livro das Ilusões” que, penso eu, seja seu romance mais melancólico.
O que acho de Paul Auster? Ele não é o grande escritor americano, como Pynchon ou Roth, mas é um bom escritor. E penso que a literatura de um país não se mede somente pelos seus grandes, mas sim pela rica contribuição à conta-gotas de seus bons escritores.
Se em “Leviatã” e “A Música do Acaso” Auster lida com os fenômenos de sincronicidade – aliás, seu tema favorito, como mostra num pequenino texto nunca publicado no Brasil chamado “The Red Notebook” – em “O Livro” ele une estes temas com o do confronto com a morte. Como um homem pode sobreviver à morte de seus queridos? E como um homem pode sobreviver à sua própria morte ou a pior morte de todas – o esquecimento? São perguntas que machucam. “O Livro das Ilusões” cativa por sua prosa límpida, seu ritmo perfeito, sua estrutura aparentemente linear, mas que guarda inusitadas simetrias se observarmos mais de perto.
O Jorge ia falar mal do Auster. Aposto que ia.
Dia da Consciência Negra
20 novembro, 2006 Categoria: Conversa fiada Nenhum Comentário »
Hoje cheguei perto de um homem negro e disse:
- Cara, hoje é o seu dia, parabéns!
E ele respondeu:
- Como assim, o meu dia?
E eu devolvi:
- Hoje é o Dia da Consciência Negra…
E ele, rindo:
- Como assim, “Dia da Consciência Negra”? Por quê? Nos outros dias, por acaso, eu não tenho consciência?????
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