Filosofia pra boi dormir
26 outubro, 2006 Categoria: Filosofia barata Nenhum Comentário »
Não. Não é nada disso, essa é uma outra estória.
Sócrates estava lá sentado pensando na vida quando lhe veio a idéia: não seria possível a existência de um conhecimento que tivesse o grau de certeza que nos proporciona a matemática mas que se refira a fatos concretos ? Sim, talvez.
Então saiu feito um maluco a perguntar às pessoas o que seria a justiça, a coragem, a bondade. E lhe davam exemplos de pessoas justas, corajosas, bondosas. Então ele citava homens que haviam feito algo bem diferente mas que não deixava de qualificá-los de justos, corajosos e bondosos. O que significava que deveria haver algo de comum em ações tão diferentes que nos fazia considerá-los assim. Os amigos e discípulos propunham isso e aquilo e ele ia eliminando as possibilidades que não se encaixavam.
Em resumo, foi isso que fez Sócrates. E o mataram por tal ousadia.
Platão também era um desocupado. Sem ter o que fazer, resolveu seguir Sócrates e aprofundou a dialética criada pelo professor.
Aristóteles foi ainda mais longe, fundando várias ciências. O fato é que todos eles queriam apenas saber mais para serem mais, e ser mais para poder conhecer mais. E nunca passou disso.
Apesar de todos os desvios, a coisa continuou assim até a Idade Média, quando ser mais tornou-se ser santo. Até então, mesmo os filósofos que haviam se desviado desse caminho não se diziam sábios.
Mas a partir daí, todos se proclamaram sabidos. Isso mesmo: na impossibilidade de se tornarem sábios, os humildes homens modernos se conformaram em ser sabichões. Muito ocupadinhos, não tiveram tempo de estudar as bobagens que haviam escrito os três ultrapassados velhinhos gregos. Além do mais, o conhecimento que eles estavam adquirindo já era prova suficiente de que tudo que se produziu antes nada significava. Cada um quis começar do início.
Descartes concluiu que só existiam 2 coisas : o Espírito e a extensão, e garantiu que nada os unia. Então como o Espírito poderia conhecer a extensão? Foi necessário pedir ajuda a Deus.
Depois veio Kant. Esse jurou, ajoelhado no milho, que a inteligência e a moral estavam completamente separadas.
Conclusão: um mutilou o homem, o outro mutilou a mente. E jamais pediram perdão a ninguém pelo que fizeram. Ao contrário, houve quem rogasse a eles para perdoarem seus pecados. Sentiam-se mal diante de tamanha revelação. Ora, mas quem não se sente mal quando se deixa mutilar sem sentir dor?
E Platão comentou com Sócrates, lá de cima: “- ei, é impressão minha ou esses caras estão separando tudo que a gente conseguiu unir?”
E Aristóteles se intrometeu:
“- vocês já ouviram falar em desconstrucionismo?”
E um sorriso maroto brotou dos lábios de cada um.
Leia também:


26 outubro, 2006 - 12:38
A vaidade é o diabinho da ciência.
26 outubro, 2006 - 20:33
Falar sobre isso no tempo do minimalismo midiático é ir além de consversas banais.
27 outubro, 2006 - 0:05
Kd, guri? kd???
29 outubro, 2006 - 0:37
Relaxa, Dna Ana Paula.
João, nada de novo debaixo do céu.
Ich bin dabei, Fräulein Heinroth.
10 janeiro, 2008 - 11:04
Me bateu uma saudades do Paulo Freire:(
10 janeiro, 2008 - 11:53
Pois é, Ana. E um Darcy Ribeiro até que caia bem…