Ói, primavera já é vem.
22 setembro, 2006 Categoria: Conversa fiada Nenhum Comentário »
A rosa que se esconde
no cabelo mais bonito
é um grito, quase um mito.
Uma prova de amor…
A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.
Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes
— e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.
Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares
— e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.
Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.
Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos
— e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.
Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.
Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.
Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.
Cecília Meireles
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22 setembro, 2006 - 12:46
Que coisa mais linda! Chega amanhã né?
22 setembro, 2006 - 16:24
Pssiuuu, Eduuu (sussurando)! Tu sabes que as flores da foto são tulipas, né?!
A nossa língua portuguesa fica ainda mais bonita nas palavras de Cecília. Viva a poesia!!!
bjs
22 setembro, 2006 - 18:52
Psiu, Cris: olha os créditos da foto (passe o mouse por cima). rs
bjs
22 setembro, 2006 - 20:47
graças a deus. que venha o verão. frio danado
abraço
22 setembro, 2006 - 23:34
A partir de amanhã já dá pra abrir o Neruda e começar acender o sol! beeeeeijo Edu
27 setembro, 2006 - 23:38
como sempre, vc surpreende!
alex!