A filha do taxista (ou Tutu, feijoada e acarajé ou A pupila de Antonio Gramsci)
27 julho, 2006 Categoria: Conversa fiada Nenhum Comentário »
O taxista era boa praça. Tinha umas idéias bastante Von Mises e Rothbard, se ele conhecesse um deles. Não fez faculdade, mas sabe que o Lula é um despreparado para qualquer cargo público. Enquanto íamos curtindo o engarrafamento ele me contou essa história com a filha que me soou como uma espécie de pequena revelação, indicando que não estamos lutando contra o vento.
A filha, que está na sexta série, chegou para ele e disse: “Papai, me ajuda na lição?”. Ele foi ajudá-la e a a tarefa era saber como o acarajé, o tutu à mineira e a feijoada foram criadas. Ele então ajuda a filha na tarefa e vinte dias depois o pai pergunta: “E aí filha… O que você está aprendendo na escola?”. “Ah, pai, estou aprendendo tutu à mineira, feijoada e acarajé”, responde ela candidamente. “Mas, poxa, filha, você não estava aprendendo isso faz duas semanas?”, o pai já meio espantado e então a filha responde: “É, pai, mas acontece que a professora está nos explicando que o acarajé, o tutu e a feijoada são os pratos que o brasileiro deveria comer sempre porque foram criados pelos verdadeiros brasileiros, que foram os negros e os índios”. O motorista quase teve um ataque de apoplexia: “Mas como? E fatos, datas, quem foi quem? Você não vai aprender isso?”. E a filha respondeu: “Ah, pai, acho que não. A professora disse que isso não era importante”.
Não deve ser mesmo.
Agora os fatos históricos desse chão tupiniquim se tornaram irrelevantes – importante mesmo é saber que feijoada, acarajé e tutu são os pratos que deveríamos comer para todo o sempre porque uns pretos e índios resolveram criar todas aquelas gororobas (que, por sinal, eu adoro).
O motorista me perguntou: “Porra, e agora? O que eu vou falar para a minha filha quando for comer um espaguetti da mama? Ela já está dizendo que não vai comer mais macarrão e polpetta porque não foram os brasileiros que inventaram”.
O motorista mal sabe, mas a filhinha dele foi vítima de mais uma competente discípula de Antonio Gramsci. Acontece que ele descobriu que está sendo enganado. E ele não fez a PUC, nem cursou a ESPM. Contudo, é mais inteligente que muitos dos que perambularam por esses campi. Na verdade, considero-o como no rol dos homens mais sábios de nossa época. É verdade, não estou sendo sarcástico : para chegar a tal verdade é preciso coragem e sabedoria – duas coisas em falta na elite intelectual e econômica brasileira.
A ditadura do Legal!
26 julho, 2006 Categoria: Tolerância zero Nenhum Comentário »
In the cafeteria I listen too closely to the noise.
Friends are crashing, friends are banging,
friends are bagging, friends are hanging;
salaries suck; relationships suck;
weekends are insane; women are girls, girls are rock stars.
“I cranked,” a rock star says to her table. They nod.
A guy they know is going through something intense.
He needs his friends. He needs his friends to say:
“Dude, you’re the shit.”
Vivemos hoje na tirania do legal.
Na escassez de vocabulário tudo é legal, tudo é bacana, tudo é da hora. Na falta de opinião sapeca lá que achou bem legal que tá resolvido. Vai ficar show.
Você mostra um quadro de Van Gogh para alguém e a pessoa comenta: “Legal!”
Escreve um soneto alexandrino, rimado, com aliterações e ecos internos, para uma moça bonitinha e a infeliz exclama:
“Show-de-bola!”
Pergunta para alguém o que ele acha do Hugo Chaves e a resposta é: “Um cara bacana!”
Ultimamente, eu até achava que estava sendo meio ranzinza mesmo mas parece que não há com que se preocupar, afinal, todo mundo se expressa através do legal e tudo pode ser compreendido de forma bacana. Só penso que uma coisa é ter opinião e falar gíria uma vez ou outra; outra coisa é não ter vocabulário e rechear o papo com termos medíocres repetitivos. Mas dizem que, como tudo é relativo, não há motivo para alarme.
Afinal tudo está legal, vai ficando show e termina de forma bacana.
Don't talk. Just cease.
26 julho, 2006 Categoria: Conversa fiada Nenhum Comentário »
Biografia
18 julho, 2006 Categoria: Conversa fiada Nenhum Comentário »
Walter Salles prepara biografia de Nietzsche. Já tem Jim Carey no papel principal. Sean Connery está sendo sondado para o papel de Abelardo Barbosa quando jovem.
Jim Carey prepara biografia de Walter Salles. Já tem Frederico Nietzsche no papel principal. Kate Winslet está sendo sondada para o papel de Victor Mature.
Deus prepara biografia do mundo. Já tem Jim Carey e Frederico Nietzsche no papel principal. Walter Salles está sendo sondado para fazer os 10 bilhões de extras e coadjuvantes…
Nova Ordem
5 julho, 2006 Categoria: Conversa fiada Nenhum Comentário »
Pode parecer totalitário e anti-democrático o que você vai ler aqui (e é) mas quando as sementes da desordem começam a insinuar que vão se instalar por um bom tempo em qualquer área da atividade humana – relacionamentos, governos, empregos, idéias, etc. – e se algum sujeito mais iluminado (no sentido de ter alguma luz do espírito e não da mera razão cartesiana) percebe isso como poucos e possui meios para agir – só se tem uma coisa a fazer: atacar o mais rápido possível, sem dó nem piedade, para eliminar o Mal por algum tempo e deixá-lo florescer em outra parte do mundo.
Este foi o problema do Brasil e, se querem saber, com boa parte da humanidade. Em 1964, quando os milicos tomaram o poder, eles fizeram o serviço de forma errada. Não souberam como prender os verdadeiros revolucionários: Fernando Henrique, José Serra, José Dirceu, etc. Ficaram preocupados com os malucos do Lamarca e do Marighella, verdadeiros assassinos que não tinham mais um neurônio válido na cabeça e já não fariam mal sequer a uma mosca-da-cabeça-branca. Deviam ter grampeado FHC, Serra e Dirceu, dado umas cacetadas e umas boas doses de eletrochoque, para pararem de pensar de uma vez e ficarem vegetando em algum azilo institucional.
O mesmo deveria se dar na Alemanha democrática de 1933, aquela que deixou Herr Adolf tomar o poder e ele fez o que fez. Deixaram o idiota preso e, na cadeia, escreveu “Mein Kampf”. Podiam tê-lo cortado da cabeça aos pés mas eram alemães demais pra pensar nessa solução. O mesmo fez Mussolini, um italiano imbecil que com outro idiota, Gramsci, escreveu boa parte de sua obra também na cadeia. O resultado está no nosso Brasil brasileiro, terra de samba e fedelho. Se tivessem fuzilado o italiano, estaríamos muito agradecidos. Mas Il Dulce era um retardado e não tomou a única atitude que poderia tê-lo transformado num personagem mais aprazível nos livros de História.
Obviamente, há um pouco de nossa participação no contexto – o dom chamado livre-arbítrio. Contudo, muitas vezes Deus precisa do homem como instrumento para que sua ordem se estabeleça na sociedade e mantenha a harmonia, mesmo com a cultura da morte imperando nos quatro cantos. E como deve o homem agir, então? Qual o limite de sua força e de seu comando – na verdade, determinados por Deus?
“A Divindade é a medida de todas as coisas”, diz Platão.
Quem segue Deus, será orquestrado com harmonia em suas ações, sempre dirigidas à virtude. Mas a desordem neste mundo já ultrapassou qualquer limite e estamos num impasse, sem dúvida; nos sentimos como meras marionetes e descobrimos que os erros são de nossa responsabilidade, porque não tivemos os olhos para ver o que estava acontecendo e impedir que a semente da desordem florescesse como um arbusto repleto de espinhos. E tudo o que temos de fazer é pedir para que Ele nos proteja e nos faça reconquistar conosco e com os outros à medida que nos dirige para a ordem, a unidade e o bem.

