Formação de Professores (Moisés: não vai dar, não…)
23 junho, 2006 Categoria: Conversa fiada Nenhum Comentário »
O pai da administração moderna, Peter Drucker, insistia numa concepção de que o grande segredo para o sucesso empresarial está em saber fazer as perguntas certas. Qualquer pessoa com inteligência mediana e com alguma disciplina metodológica consegue procurar respostas, porém, nada resolvem boas respostas para perguntas erradas ou pouco significantes. Pois é, esse blah blah blah em forma de introdução é para dizer que perguntas intrigantes não são apenas coisa de “chato”, como afirmam alguns. Perguntas têm o poder de abrir feridas, por vezes ocultas. Sobretudo quando a arena dos gladiadores é um terreno frágil como o da Educação.
Posto isso, a pergunta é: Prova para quê? Junte-se a diferença que há entre ensino e aprendizagem.Vivemos num mundo que exige certificações, poucas efetivamente necessárias. Para o sujeito ser advogado, médico, administrador, contador, psicólogo, etc., precisa de alguém para “certificar” que o cidadão aprendeu o suficiente. O que normalmente questiono é ser o professor juiz do seu próprio trabalho. Do ponto de vista do indivíduo certamente bastaria saber (“Know how”, manja?) ou seja, a aprendizagem. Já do ponto de vista social, precisa haver um “selo de qualidade” para tornar válido tal conhecimento (e as certificações certamente estão muito falhas). Isso tudo acaba levando às dificuldades de mudança, que não são apenas de ordem pessoal. Há toda uma conjuntura que conspira. Nesse ponto é que recomendo a leitura de “Sozinhos na Escola” de José Pacheco, o idealizador da Escola da Ponte.Mas de nada adianta tentar esmurrar ponta de faca. Há um escrito da Bíblia que ajuda bem a entender este nosso momento histórico da Educação no Brasil. É o momento em que o povo judeu, depois de atravessar o deserto sob a liderança de Moisés chega à fronteira da Terra Prometida. Dali Moisés manda 12 indivíduos na frente pra dar uma espiada na terra e depois prestar relatório. Os sujeitos voltam e 10 deles dão um relatório aterrorizante: os habitantes da terra eram uns caras gigantescos, super bem nutridos, treinados para lutar e as cidades tinham muros enormes!
- Moisés, sem chance; nao vai dar, não…
Dois dos doze, porém, confirmam tudo o que os outros haviam dito, mas acrescentam:
-Olha, Moisés, a gente chegou até aqui escapando da mais feroz ditadura dessa era: os egípcios; até o mar se abriu na frente da gente e depois se fechou em cima deles: o sujeito lá de cima tá com agente! Vamos nessa!
Moisés e o restante do povo preferiram acreditar nos 10 primeiros. Ao invés de entrarem na terra prometida e avançarem para o seu futuro, deram pra trás e foram viver a vida que estavam já acostumados a viver, no deserto. Só 40 anos depois, quando toda uma geração de gente medrosa e incrédula morreu é que os judeus finalmente entraram na terra prometida.
Parece que temos um número muito reduzido de pessoas que estão acreditando no futuro da educação no Brasil, que pensam em fazer coisas diferentes do que tem sido o nosso deserto educacional até aqui. Talvez não seja mesmo possível convencer a maioria que não crê no futuro. Penso que vão continuar no deserto, que é onde se sentem melhor, onde se acostumaram a viver. Sabe aquela estória do medo vencendo a esperança? Acho que é a cara dessa gente instrutora que aí está. Mas há uma minoria que acredita e busca algo diferente do estabelecido. Aos poucos uma pequenina revolução silenciosa, quase imperceptível, vai sendo posta em andamento aqui e ali. Existem hoje pouco mais de uma centena de alunos brasileiros estudando com professores da Escola da Ponte. Uma centena é quase nada. Mas no meio destes 100 há gente de todo tipo de formação, desde diretores de escola até uma secretária de educação de um pequeno municipio catarinense. Enfim, tem gente espalhada por aí pelo Brasil querendo fazer diferente, querendo fazer diferença.
Não esmurre a ponta da faca. Além de inútil, pode ser doloroso.
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23 junho, 2006 - 21:04
Como temos mostrado que não sabemos fazer educação e os resultados mostram que em nossas escolas as crianças não aprendem o que precisavam aprender então precisamos mesmo voltar às interrogações mais simples, precisamos responder perguntas que parecem já respondidas mas que, no fundo, estão mesmo muito mal solucionadas.
Forte abraço
24 junho, 2006 - 14:02
olá,
o que mais me chama a atenção na Escola da Ponte é a abordagem pedagógica baseada na conjugação de autonomia com colaboração, coisas que o ensino convencional não tem conseguido desenvolver. isso me parece profundamente inovador e alimentador de esperanças em educação.
25 junho, 2006 - 4:19
será q a michelle acha mesmo q a escola da ponte caberia no brasil? nem em 2006 anos-luz! alem do mais nossa cultura é muito mais ampla e mesclada q a dos lusos. a ponte pra lá e nossa escola pra cá
28 junho, 2006 - 1:44
tá certo em parte o que diz aí o Franco. a Ponte não vai ser montada no Brasil mas serve de excelente exemplo. também dá pra notar que o pensamento do amigo Franco vem bem de acordo com o que disse o Eduardo no texto, “nem em 2006 anos-luz!” disse ele, mostra bem que não acredita numa educação de qualidade e nem deve estar contribuindo pra isso.
30 junho, 2006 - 3:11
Acho que seria interessante buscar e trabalhar pela qualidade da educação que ficar discutindo se a Ponte vem ou não vem, né?
beijo, Dú
4 julho, 2006 - 23:14
em segredinho aqui entre nós queria te chamar de príncipe dos cronistas do recanto, muito em segredo, mas vc é de matar! ah, lembrei, sorte mesmo que o poeta é um fingidor, e finge assim tão completamente que finge que é dor essa dor que deveras sente: sobre o comentário no meu poema, valeu
5 agosto, 2006 - 21:32
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