Voto nulo ou inútil?
9 abril, 2006 Categoria: Política é o fim Nenhum Comentário »
Vejo o voto nulo como um repúdio ao pensamento político ativo e ajuda mais a eternizar um Estado corrompido. Sou contra sim, à obrigatoriedade do voto.
A Constituição Federal reza, em seu artigo 1º: “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”. Isso vem confirmar que o povo é o legítimo possuidor da soberania e do poder, o próprio significado de “República”, brilhantemente definido desde Cícero.
Ultimamente nos deparamos com diversas informações incoerentes sobre os elementos que dizem respeito a essa vontade popular. Existem “correntes” (a maioria divulgada pela internet) manifestando-se acerca do inconformismo popular diante da governo atual e pela falta de opções na hora do voto. Existe até um e-mail que anda circulando pela internet, instruindo os cidadãos a votarem nulo, com o objetivo, de forçar a realização de outra eleição. Dá até pra entender os motivos dos que aderem ou lideram a campanha mas como lembra bem o Clóvis Rossi ela acabará representando aceitar mais dois contos do vigário do Lulo-Petismo:
Conto do vigário 1 – “Todos fazem” (trambiques), conforme o presidente disse na famosa entrevista em Paris, no ano passado. Se “todos fazem”, então pode-se votar até no PT, que confessadamente faz, porque não é diferente dos outros. Falso. Muitos, de fato, fazem, mas não todos. A renúncia ao Conselho de Ética de meia dúzia de deputados oferece uma microlista, é verdade, mas lista de gente que ainda é capaz de indignar-se com a bandidagem e, mais, de renunciar a uma posição que lhes dá evidência e, portanto, mais chances de reeleição.
Conto do vigário 2 – Fingir que a escolha eleitoral é apenas entre PT e PSDB, farinhas do mesmo e lamentável saco. Errado. Há uma cornucópia de outros partidos, pelo menos nas eleições legislativas. Admito que dá trabalho procurar um nome limpo no meio da selva, mas santos não caem no colo de ninguém. No pleito presidencial, se outros candidatos, além da dupla hoje hegemônica, têm ou não têm chance, não importa. Eleição não é corrida de cavalo, em que o eleitor ou escolhe o cavalo vencedor ou perde dinheiro. No Brasil, ao contrário, o eleitor, se não é da corriola, tem perdido dinheiro é com o cavalo vencedor.
O voto nulo não anula a eleição.
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11 abril, 2006 - 10:07
Concordo com vc, meu amigo, mas a coisa tá preta. Será que temos pra onde correr?
bEIJOS
NANCY COBO
11 abril, 2006 - 11:07
Nacy,
penso que ficarmos o resto de nossa existência apontando erros e nunca focando na solução não vai resolver. Precisamos aprender a votar, analizar programas de campanha partidária e estarmos seguros de nosso candidato, sejá la quem for.
Um dia os brazucas páram de achar o programa eleitoral chato e passam a fiscalizar o governo de 19 as 20hrs no rádio…
um beijo, Nancy
11 abril, 2006 - 19:28
Eduardo, boa noite.
Tive a grata satisfação de encontrar o seu blog quando fazia uma pesquisa no google.
Gostei muito do seu estilo elegante, mas não pedante de escrever.
Voltarei outras vezes para aprender com você.
14 abril, 2006 - 15:35
Que meus votos de Feliz Páscoa sejam extensivos a todos os seus com meu grande abraço.
16 abril, 2006 - 22:03
Olá Edu,
A Páscoa já está no fim… Desejo, então, uma Boa Semana prá ti.
Quanto ao texto, olha, concordo contigo que temos de procurar sair desse emaranhado de políticagem corrompida a que estamos acostumados. Precisamos, entretanto, procurar as maneiras. Entendo que o voto nulo é uma forma de protesto válida. Pelo menos para que nos dê tempo de encontrar a porta de entrada de uma política séria.
Um beijão
4 julho, 2006 - 23:08
eu sou um alienado, e vc me jogou num estreito dédalo de noite do qual eu sou incapaz de sair… que bom que fez isso, acho que não vou mais nem votar!