Um nó

19 fevereiro, 2006    Categoria: Filosofia barata    Nenhum Comentário »  

Talvez seja o pó da minha mesa, mas parece que a minha visão não vislumbra mais como antes. Chego à essa conclusão depois de ter pensamentos associados a coisas mirabolantes, como sempre. Tentar organizar coisas que circulam com insistência na mente não é tarefa das mais fáceis. Algumas falácias indicam os pensamentos permanentes no interior da minha cabeça sob pressão e que são pertinentes a assuntos obscuros sobre vários temas.
Tudo ao mesmo tempo.
Agora.

Talvez seja o tédio sem remédio que insiste em instigar o meu cérebro a buscar o divino no simples e implícito ato de continuar respirando, mas parece que o entorpecimento assentou moradia. Achei que estivesse tendo sonhos de sonâmbulos onde tudo é palpável, mas nada é real.

Circulo pela casa na busca de algo que não conheço, mas sei que mereço. Acordo atordoado, com marcas e sintomas estranhos. Palmas suadas e pés úmidos. Talvez seja a falta de coerência que me entrega e atesta que o meu raciocínio está lento, mas tento ver sentido no tropeço e permaneço caído, depois do tombo. Vou ao chão sem proteção e, mais por preguiça do que por incapacidade de levantar, fico sentado ao lado da minha alma que almeja algo mais do que um simples estar por aqui. Quem sabe o que se abre diante de quem quer enxergar a chuva e ver o que existe além desse muro?
Quem sabe?

Talvez seja essa espera que preserva e perpetua a realidade de que, na verdade, nada muda, mas percebo desde cedo que me engano ao reclamar a posse do que não me pertence.

Sem exceções iniciais, já que não compreendi o objetivo subentendido no começo disso tudo, a regra rege o resto da jornada. Um traçado amassado pelo peso pesado da rotina que domina as nossas ações e reações automáticas ao que quer que aconteça, com ou sem a nossa presença. Percebo que diante do desejo de acertar o passo penso em seguir adiante. Tudo ao meu redor é redemoinho, tendo sempre o mesmo destino: o pó.

Do I have to tell the story of a thousand rainy days since we first met? It’s a big enough umbrella, but it’s always me that ends up getting wet. (The Police)


Artigos relacionadosLeia também:
Enviar | Recomendar Enviar | Recomendar |


Nenhum Comentário para “Um nó”

  1. Tata disse:

    Na verdade nada muda quem tem que mudar é a gente.

    “Não existe colher”

    Amo vc!

  2. Alexandre disse:

    Não se preocupe, essas coisas sempre passam.
    No fim o nó ao pó voltará.
    Veja eu, quase morri e já to pronto pra outra. Abraço, Edu

Dê sua opinião


Escolha o tema: 1 2 3 4 5 6 7 8

Assine grátis

Receba os artigos diariamente:

Menu

Grupo Tetera

Twitter

twitter.com/EduardoTeteraSiga Eduardo Tetera no Twitter.
O Grupo Tetera também está no Twitter. Clique aqui