Mentira própria

28 fevereiro, 2006    Categoria: Conversa fiada   Nenhum Comentário »  

Não há ninguém que nos faça crer tanto numa mentira como quando a contamos nós a nós mesmos…

Partidos preparam seus blocos

26 fevereiro, 2006    Categoria: Política é o fim   Nenhum Comentário »  

Saiu no O Globo de hoje: “Passado o carnaval, quadro eleitoral deve ficar mais laro, com decisões no PSDB e no PMDB”.

Como “passado o carnaval”?!

Parece mesmo que o carnaval (sinônimo de descanso ou diversão) vai ser de muita dor de cabeça para os políticos. – principalmente os de oposição. Nesse feriado, os dirigentes partidários terão de, entre um passo de samba ou outro de axé, dedicar-se à difícil costura dos acordos eleitorais.

A quarta-feira de cinzas deverá anunciar, além da ressaca, o fim do prazo de maturação desses entendimentos e a necessidade de apresentar um quadro eleitoral mais claro.
Eles devem estar se guardando pra quando o carnaval chegar

Enquanto você dormia…

25 fevereiro, 2006    Categoria: Filosofia barata   Nenhum Comentário »  

Há quem diga dos amores virtuais: que eles não têm cheiro, nem gosto, nem pele, que não há o toque e demais.

Ora, ora, e não é que a coisa tomou um outro rumo?

As salas de bate-papo com câmeras – Você entra, se mostra, vê pessoas, escolhe. Nada mais de dizer, sou alto, sarado, loira, bonita… agora as pessoas se vêem e se curtem, ou não. Fim do mistério. Começo de novos tempos.

Lingerie nova? Corre pra mostrar na tela!
Perdeu aquela barriguinha horrorosa, ficou malhado feito um tanque? Mostra! Mostra! Aplausos!!!!
Tá gordo, peludo, cheia de celulite, peito caído? E daí? Tem quem goste. (E como tem!)

O virtual visto, se tornou extensão de vida. Não há como negar. E não há tempo a perder, se você tem um relacionamento ou um amor. Cuide dele. Cuide bem dele. Porque a oferta é grande, e a procura imensa. Câmeras abertas, contatos visuais, microfones ligados, vozes que até então só eram conhecidas pelo telefone, orgasmos partilhados e vistos em tempo real. Ninguém mais engana ninguém nesse virtual. E depois, quando o encontro real ocorre, você apenas se delicia com o gosto, o cheiro e as texturas, porque você já sabe tudo daquele corpo.

Quantos relacionamentos não desandaram por isso? E muitos tantos nasceram, por isso, também. Casamentos desfeitos, casamentos refeitos, amantes, amores, enfim, vida pulsante através da tela. Assim é o novo momento. Não se pode deixar passar. Não fique, você, se fiando que o virtual não tem condições de bancar o real. Ele tem sim. Por isso, abra seus olhos, porque essa sua postura lembra muito o filme…

(Najah ÐL®)

Agonia de um filósofo

24 fevereiro, 2006    Categoria: Cultura & estrutura   Nenhum Comentário »  

Consulto o Phtah-Hotep. Leio o obsoleto Rig-Veda. E, ante obras tais, me não consolo… O Inconsciente me assombra e eu nêle tolo Com a eólica fúria do harmatã inquieto!

Assisto agora à morte de um inseto!… Ah! todos os fenômenos do solo Parecem realizar de pólo a pólo O ideal de Anaximandro de Mileto!

No hierático areopago heterogêneo Das idéas, percorro como um gênio Desde a alma de Haeckel à alma cenobial!…

Rasgo dos mundos o velário espesso; E em tudo, igual a Goethe, reconheço O império da substância universal!
Augusto dos Anjos

Só de sacanagem!

22 fevereiro, 2006    Categoria: Cultura & estrutura   Nenhum Comentário »  

Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta à prova? Por quantas provas terá ela que passar? Tudo isso que está aí no ar: malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, (do meu, do nosso dinheiro) que reservamos duramente para educar os meninos mais pobres que nós, para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais, esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.

Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova? Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais? É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.

Meu coração está no escuro, a luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e os justos que os precederam:
“Não roubarás”,
“Devolva o lápis do coleguinha”,
“Esse apontador não é seu, minha filha”.
Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar. Até habeas corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha visto falar e sobre o qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará.

Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear: mais honesta ainda vou ficar. Só de sacanagem!
Dirão: “Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo mundo rouba” e vou dizer: “Não importa, será esse o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez.
Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos, vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau.

“Dirão: “É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal”. Eu direi: Não admito, minha esperança é imortal.
Eu repito, ouviram? Imortal!
Sei que não dá para mudar o começo mas, se a gente quiser, vai dar para mudar o final!

(Elisa Lucinda)


Na voz de Ana Carolina



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