A vírgula (Carta a Najah DL)

10 agosto, 2005    Categoria: Conversa fiada    Nenhum Comentário »  

Salve a vírgula.
Nem quero saber se ela tem que ficar num lugar ou no outro, quero em todos os lugares! Vírgula pra mim tá ligada ao pulmão, ao coração, coisa das entranhas e mando bala na vírgula. Já escreveram ‘O Velho e o Mar’, então vou escrever, ‘O Velho e a Vírgula’ (mas eu te mostro, Najah, fica tranqüila).
Ah, como tu, o ponto também me fascina. Ponto e pronto. Ponto, ponto! Fica ótimo; parece com aquelas pessoas de decisão: -tá dito e tá dito e pronto, ponto. Gostei daquilo, amiga Najah: Eu, a Vírgula e o Ponto… Porra, também já vou viajando com esse negócio de triângulo… E também, parceirinha, não adianta dizer que é pra encher o texto, mas é que, igual a tu, a erudição do Aurélio a todo tempo incomoda, né? Já imaginou como ia publicar esse negócio de “uma misciva” bem redigida? Ou, em tempos de CPMI “uma epístola a vossa senhoria”? Não ia dar certo mesmo. E dos Buarque de Holanda, o Chico e o Sérgio descem mais suaves. E ponto.

Cá como lá, amor ou rima com calor, ardor, furor ou com dor e quando tem essa rima, vem o provedor e joga a conexão pro espaço, é quando vou ao congelador e busco aquela gelada e relaxo, olhando o editor de textos (ferramenta cruel…) Aí tu diz que texto ruim é texto ruim, não adianta enfeitar. Tá certo, mas pensando bem tu até que tem razão: aquela mulher feia, num batom vermelhão, um lápis no olho, e aquela calça “Deus é justo mas a tua calça é mais”; concordo que ela continue feia, mas fica melhorzinha pra olhar mesmo.

No mais, esse negócio de ser dono da palavra, autor do texto, é um saco, sim. Aos donos cabem alguns lucros, mas também, cabem os ônus todos, pagar imposto da palavra, luz da palavra, água da palavra… Como tu disse aquela vez; melhor é ser favelado da palavra, entro, tomo conta, tomo posse, me apodero e fim. Faço um escarcéu, misturo, troco de lugar, inverto o sentido, ponho vírgula e tome ponto; no final, já pari um texto enviesado.

Mas palavra é realmente igual a carro: está pra me servir e não o contrário. E, às vezes, até consigo algumas subvenções. Pois é Najah, o mundo não é nada justo, nada justo, mas aquela calça… Concordo que há toda a responsabilidade em passar os acertos, em usar tudo de forma correta, a preocupação com a gramática, a fonética, os acentos e todas essas coisas que aprendemos Deus sabe há quanto tempo mas se meu texto incomodar sugiro aos mais desavisados que corram a outro sítio. E por favor parceirinha, não deixe jamais de publicar os teus escritos, porque tuas palavras de mulher sagaz (e às vezes bem mordaz) me ajudam a focar o que o mundo feminino sente e como ele age em relação aos outros seres humanos menos dotados (homens em sua maioria…). Combinado? E o texto, é de quem? O resto é o resto. E pronto. E ponto final.


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  1. NajahDL disse:

    Bárbaro, garoto!! E a Gertrudes que se vire! rsrs Super beijo, NajahDL

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