Tão pouco para ser feliz
12 julho, 2005 Categoria: Filosofia barata Nenhum Comentário »
‘‘Ocupe-se de pouco para ser feliz’’ e ressaltava que ‘‘muitos afazeres e pressões sobrecarregam o espírito e nos enchem de sombra, levando a pensamentos que escondem as idéias de luz’’.
Como tantos outros homens sábios daquela época, cujas propostas e conceitos atravessaram os séculos e chegaram até aqui, respeitava demais a palavra euthymia, que significa tanto o apascentamento da alma para se alcançar a felicidade, quanto o cuidado em não se acumular de necessidades que no fundo não são necessárias…
Nesta primeira semana de julho, ao voltar de uma longa viagem, lia Calígula, o novo livro de Alan Massie, onde essa euthymia é sempre citada por Sêneca, e lembrei-me da frase do filósofo. Com certeza, por estar reavaliando conceitos, analisando valores e tentando re-significar alguns símbolos do meu cotidiano, neste momento. Meu Deus, como estamos sobrecarregados de compromissos, deveres, de uma lista interminável de ‘‘não posso deixar de’’, mesmo num período de férias. Que, aliás, as pessoas não respeitam. E a perturbação monumental dos e-mails! Que surgem às centenas na telinha, numa diabólica seqüência interminável? Mesmo não sendo daqueles fanáticos que abrem mensagens pela madrugada adentro ou sequer desligam o computador, como não se agitar com isso? E a obrigação de estarmos magros, ‘‘saudáveis’’, fazer exercício físico e manter uma alimentação regular? Quanto às tarefas idiotas, é melhor nem dizer nada: são tão inúteis e nos dedicamos a elas, com afinco. Assim, os hiatos de insônia no meio da noite, a ansiedade, a tensão e os resultados no físico, apesar de tantos cuidados e assepsias.
Repensar essa milenar euthymia pode ser fundamental em muitas das pessoas que dedicam a este espaço diário alguma atenção. Sim, porque os que entraram de cabeça e alma na roda da loucura nem vão ter tempo de ler isto aqui. Estão correndo atrás dos compromissos determinados pela mídia, em matar um leão por dia, em não deixar de estar em cima de tudo, de triplicar o rol de suas abundantes necessidades. Até porque a descoberta de que a gente precisa de muito, muito pouco para ser feliz é um fantasma monumental.
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15 julho, 2005 - 12:21
Cá prá nóis. Demócrito vivia nos tempos das bigas, dos diálogos, do relógio de sol, da túnicas. Pô, Edu. Hoje… ele seria… Paulo Coelho. ganhando milhões reescrevendo estórias orientais. Aí é fácil.
21 julho, 2005 - 16:17
Já me peguei muitas vezes com crise de consciência por não entrar de cabeça nessa roda viva que é o mundo moderno.Acho mesmo é que vivo numa espécie de Universo Paralelo, onde falta bem pouquinho para eu ser feliz. Por isso é que sempre paro para ler, refletir e agregar em mim coisas importantes. Suas palavras foram essenciais. Parabéns.
Oráculo
17 abril, 2010 - 20:49
Revivendo a máteria…
Atualmente somos “obrigados” a fazer coisas.Coisas que se pararmos para analisar não são tão importantes,mas acabamos fazendo
Devemos nos desacumular,esvaziar essa caixa de problemas que se transformou a nossa mente
Gostei muito da matéria
17 abril, 2010 - 21:19
E os que entraram de cabeça e alma na roda da loucura nem vão ter tempo de ler isto aqui..