O Lula católico e o Papa trabalhador
1 maio, 2005 Categoria: Conversa fiada Nenhum Comentário »
O Lula voltou de Roma mais católico que nunca.
Nosso fervoroso presidente da Silva ressaltou a identificação da Igreja com a causa dos trabalhadores e lembrou que a Igreja Matriz de São Bernardo do Campo, em 1979, durante a greve liderada pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, concedeu abrigo a ele e a outros sindicalistas sem-teto que, na época, eram perseguidos pelo regime militar. O homem até foi ao púlpito da Matriz no encerramento da missa celebrada em comemoração ao 1º de Maio.
Há 26 anos o 1º de Maio de 1979 reuniu artistas, (Vinícius de Moraes tava lá), religiosos e muitos trabalhadores. Com militares presentes e sem Lula, que estava preso. Hoje ao mesmo tempo em que Lula foi à igreja, a festa liderada pela CUT na avenida paulista esteve animada, sem os militares. Ah, o Lula também não foi, de novo. Mas ele não é o maior representante dos trabalhadores brasileiros? Ou será que temos apartir de agora um presidente devoto? Ora, já não duvido de mais nada nesse Brasil nosso. Hoje está lá um operário mas já fomos liderados por militares, sociólogo, médico e até um imperador excêntrico e inovador. Já teve de tudo.
Agora surge o “irmão Luís Inácio”. Hoje, enquanto Lula discursava e Dom Nelson aprovava ele fez questão de ressaltar a família(agricultura familiar), o incentivo financeiro ao trabalhador(microcrédito), moradia(reforma agrária) e ainda a tal transposição do Rio São Francisco que está planejada desde Dom Pedro II, que já queria fazer a transposição em 1846. Ainda disse que os padres têm experiência e convivem com os trabalhadores. Tava bem dirigido, digo, redigido o discurso. Será uma jogada de marketing, digo, política?
Mas ainda me pergunto o porquê do câmbio da avenida dos trabalhadores pelo púlpito. Mas, tudo bem. Mesmo não aparecendo, a CUT continuou nos passos para a reeleição de Frei Luís Inácio, digo, presidente Lula.
O mais interessante é que, quase ao mesmo tempo em que nosso trabalhador mor pregava, digo, discursava na matriz de São bernardo, o líder maior da Igreja, o Papa Bento XVI pedia em Roma que não falte trabalho, especialmente para os jovens, e que as condições de trabalho respeitem cada vez mais a dignidade do ser humano. Agora percebo, foi um revezamento. O líder sindical demonstra afinidade com a Igreja enqüanto o sumo pontífice reivindica igualdade salarial, melhores condições de trabalho, dignidade já, etc, etc, etc…
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