Desmoralizaram o desmoralizado
20 maio, 2005 Categoria: Conversa fiada Nenhum Comentário »
De fato Saddam está vivendo o pior pesadelo de um ditador despojado de poder e, agora, até de suas calças. As forças multinacionais vão investigar a veracidade das fotos e a sua autoria. Mas, como? Filho americano feio tem pai ou mãe? Isso tá com cheiro de que vai acabar em pizza. Pizza Hut, né. Com borda de queijo Cheddar inglês do bom.
Porém, não posso crer que após anos de ditadura, torturas, perseguições, prisões ilegais e muitos palácios além, o mundo vá fazer uma rebordosa com fato tão irrisório. De acordo que foi uma violação dos direitos humanos e da Convenção de Genebra mas as fotos seriam indignas pra qualquer detento, e o sr Saddam Hussein mesmo em bragas é, de fato, um prisioneiro e não um governante em exercício.
Portanto não me venham com essa demagogia de querer ressaltar que “as fotos seriam ainda mais indignas para Saddam Hussein”.
O que apóio é que esse episódio se soma a um sem número de violações de direitos do povo iraquiano da parte da administração americana. E Saddam não foi poupado do tetro yankee dos horrores desde dezembro de 2003, quando, após ser capturado, foi examinado feito um cavalo a quem se olham os dentes. Aliás, cena peculiar, destaque para os olhos apreensivos do ditador. Fazer o quê, Saddam plantou. Depois disso choveu tanto…
Sou taurino! E basta!
18 maio, 2005 Categoria: Tolerância zero Nenhum Comentário »
Tinha cara de conspiração.
À mesa um elenco de dar azia em caminhão de sonrisal: colegas flamenguistas, amigas cancerianas, camaradas PeTistas e outros bichos mais. Uma verdadeira pletora de gente pseudo-reacionária. E, depois, são os taurinos que falam muito…
Eu não concordo com esse papo de que nós, taurinos, falamos demais.
Pra dizer a verdade acho até que somos bem recatados, falamos somente quando necessário, damos pouca opinião nos assuntos e não costumamos encher os ouvidos dos nossos amigos.
Isso deve ser lá pras bandas dos escorpianos, isso sim.
Posso até dizer que suporto bem outros amigos e amigas taurinos e afirmo com toda segurança que os caras nunca me encheram o saco com blah blah blah.
E há também as mulheres taurinas. Apesar da fama que as mulheres carregam, taurinas ou não, minhas amigas de touro também nunca me fizeram ter de cortar o papo porque falavam muito. Não mesmo. Juro…
Eu, por exemplo, como legítimo representante dos furiosos do zodíaco, não costumo gastar mais que umas poucas palavras pra expressar o que sinto. Às vezes sou até meio caladão. Chego a incomodar os que estão na conversa ou por perto, atentos a tudo que se passa, numa mesa de bar, na praia, etc.
Sendo assim, ¡vamos parar com esse negócio de dizer que nós, taurinos falamos muito! ¡Isso é coisa da esquerda escorpiana subversiva! ¡Pros diabos com esses malditos tagarelas!
¡Cabeça enfeitada uma ova! ¡Abaixo os difamadores! ¡Somos de touro, sim!
E do meu lado mesmo, ficou só o dono do restaurante que pelo menos me deu uma cortesia…
São Jorge: O capadócio da moda
14 maio, 2005 Categoria: Conversa fiada Nenhum Comentário »
É já sabido da maioria que São Jorge era totalmente aclamado pelo povo, antes mesmo da Igreja alçá-lo à categoria de santo. Tenho agora um certo temor de que o bahiano seja venerado pelas ruas soteropolitanas. Mas, será mesmo assim que deve ser? Em tempos de novo Papa temos um efêmero que traz à tona crucifixos, imagens, figas, patuás e todo tipo de superstição que um assíduo telespectador de
reality show deve ter.A moda country influencia; os góticos ditam; o que for colorido e “do bem” será permitido; bebemos moda e mal-digerimos sucessos momentâneos. Com toda essa atmosfera, me pergunto: Quando será a visita de Sua Santidade o Papa Bento XVI ao Brasil…
Índio quer apito, digo, comida
12 maio, 2005 Categoria: Conversa fiada Nenhum Comentário »
Passando os olhos pelo jornal O Globo ontem vi o que tá se passando com a população original do nosso Brasil: A FUNAI está mantendo alimentos estocados enquanto índios passam fome. Chorei. Desde há muito os governantes desse país continental vêm cometendo contra os indígenas as maiores agruras possíveis e imagináveis. Até o final do século XVII, a língua “oficial” do Brasil era o Tupi-guarani misturado com português. De cada três brasileiros, dois só falavam Tupi-Guarani. Mas em 1759, sobre influência do Marquês de Pombal, o governo português baixou um decreto proibindo o uso do idioma “híbrido” ao qual imbutia a acusação de que estava prejudicando as comunicações na colônia brasileira e impondo punições para quem não usasse o idioma português. Foi assim que, à força, o tupi-guarani foi tirado de circulação ao longo do tempo. Se não houvesse essa medida, o Brasil seria um país bilíngue cuja população usaria o português e o tupi-guarani, tal como hoje ocorre no Paraguai em que o povo de lá exprime-se em espanhol e guarani, uma língua parente do Tupi.
Mas, como?! Quando os Lusitanos cá chegaram os bugres já tinham domínio da terra. O que reinava deste lado do Atlântico eram a cultura, a culinária, a medicina silvícola. Os costumes em geral eram todos resultados de eras de ocupação territorial dos verdadeiros e originais nativos americanos.
E a língua era deles, também. Os que se chegavam iam aprendendo e repassando às gerações futuras não os costumes selvagens, é óbvio, mas o interessantíssimo idioma que hoje só alguns podem dominar graças aos esforços do Professor Eduardo Navarro, que hoje já ensina o Tupi aos índios da Paraíba que perderam sua cultura.
Mas agora os que já não falavam, não comem. São cerca de 27 toneladas de alimentos estocadas há 19 dias, período em que já morreram 21 indiozinhos de desnutrição. E, pior: A FUNAI diz que não tem gente pra embalar; o governo federal diz que nem sabia do estoque. Vergonha. Jogo-de-empurra. Shame on You. E os curumins morrendo, de boca aberta.
Nós chegamos, eles já estavam. Nós aprendemos muito e ainda temos bastante que ver com a sabedoria das selvas. Depois, nós é que somos civilizados…
Índio é gente.
E, como diria o Sr Caetano Emanuel Vianna Telles Veloso:
“Gente é pra brilhar, não pra morrer de fome.”
O TOC na telinha
9 maio, 2005 Categoria: Conversa fiada Nenhum Comentário »
Protagonista: Uma pós-adolescente, pseudo-formadora de opinião, supostamente pós-portadora e curada de TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo).
¿Alguém viu? Eu vi. E notei que neste mundo neurótico e à beira de um ataque de nervos os papéis estão cada vez mais invertidos.
A entrevista beirava o tédio. Foi então que alguém no ponto eletrônico do magnífico Serginho Groisman deve ter berrado: “A Psiquiatra!” “Dirija as questões técnicas para a Psiquiatra!” E assim ele fez. Ainda bem. Uma profissional capaz e com opinião abalizada pra falar com conhecimento de causa do assunto. Em 2 ou 3 comentários ela liquidou a fatura. Com direito até a um corte após a paciente, digo, entrevistada, responder algo perguntado baseada na própria opinião.
É preciso termos muito cuidado com as informações que nos são passadas indiscriminadamente. Sobretudo nos meios de comunicação em massa; e os assuntos veiculados pela TV são algo que, muitas vezes, tomamos em doses cavalares e nem nos damos conta de que nossa opinião pode estar sendo lavada. Para assuntos técnicos os profissionais estão aí, à nossa disposição. Quando o papo é clínico então, busquemos a opinião de uma gente que não gastou quase uma década de estudos em vão.
Mas, felizmente a coisa terminou acertada. Palmas ao diretor do programa. E a Psiquiatra da moça também. Tudo resolvido, a esquizofrenia televisiva curada, todos os deuses que protegem a Psicanálise dormiram em paz. Freud deitou a cabeça com tranqüilidade. Jung tomou um copo de leite morno, calçou as chinelas e descansou.
